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Combate às drogas, vale a pena?

Como empresário de segurança, e atuante no ramo, me orgulho muito de ter minha Empresa reconhecida por diferentes órgãos públicos ligados a segurança, por serviços sérios prestados no combate as drogas em diferentes eventos de nossa responsabilidade. Em nosso currículo e apenas nos últimos 05 anos temos 06 prisões em flagrantes efetuadas por tráfico de drogas, centenas de usuários detidos e entregues as autoridades e grande quantidade de entorpecentes apreendidos, tudo isso documentado através de registro de ocorrência policial, hoje me orgulho de ter o respeito e o reconhecimento de diversas autoridades por esse trabalho sério que fora efetuado ao longo da minha carreira profissional. Trabalho esse que foi citado inclusive em relatório do MP, após escuta telefônica autorizada de alguns traficantes, onde pode se ouvir que quando minha Empresa era responsável por tal evento, ficava mais difícil a comercialização de drogas, tendo em vista que “com eles não tem idéia, levam pra dura mesmo”. A cada dia de serviço, fico mais estarrecido com a quantidade de usuários de drogas. O número parece não parar de aumentar e está tomando a proporção de uma epidemia, apesar de eu e meu sócio e diretores estarmos engajados na luta contra esse veneno, que tanto está destruindo as famílias e a sociedade. Sempre me faço às seguintes perguntas: O que anda acontecendo com os jovens? O que essa juventude pensa da vida? Estão entrando num caminho difícil de sair. Será que já refletiram alguma vez sobre isso? Confesso que estou assustado. Não sei como frear esse consumo descomunal, que produz criminalidade, criando um perigoso ciclo vicioso. E é um problema que está atingindo todas as camadas sociais, da classe “a” à classe “z”. De quem é a culpa? A culpa é dessa desagregação familiar e social que assola o país, da falta de valores morais e éticos incentivados pela mídia, da falta de uma maior religiosidade… O uso de drogas, por si só, não é o problema. Afinal, cada um si mata da forma que quiser. O que me preocupa, na verdade, são os crimes decorrentes desse consumo desenfreado, como os homicídios praticados por dívidas de drogas, por acertos de contas, por guerra entre quadrilhas e, o mais preocupante, por confrontos com a polícia. Também não podemos nos esquecer de outros crimes, como furtos (para manter o vício), brigas e acidentes de trânsito. Uma coisa produz outra. A relação é direta. Mais uso de drogas, mais crimes. Invariavelmente. É assim, e não adianta fecharmos os olhos para a realidade. È uma luta difícil, onde temos a sensação de estarmos “enxugando gelo”, “dando murro em ponta de faca”… Muitas vezes é uma luta em vão, e aí se pergunta: Até quando? E quantas pessoas já não morreram nessa luta? E quantos ainda não morrerão? O uso de drogas está banalizado. Está parecendo à coisa mais normal do mundo. Os usuários não têm nem mais vergonha em admitir essa condição. Dizem, sem pudor: “eu sou usuário”, “eu fumo só uns beck de vez em quando”, “eu sou viciado mesmo, e todo mundo lá em casa sabe”, “pode me prender que eu não vou parar de usar”. E se prende, prende, prende… E o problema não acaba. Está lá, cada dia mais forte, tal qual um tumor maligno. Estamos diante de uma epidemia, mas não podemos tratar o usuário e o viciado como doentes, como vítimas. Não são! Eles escolheram esse caminho. Também não podemos tratá-lo como os demais criminosos, porque muitos já se tornaram dependentes do veneno, que lhes mata um pouco a cada dia. Creio em duas soluções, ou paliativos. Para os que já são viciados e dependentes, tratamento. Para os usuários, vergonha na cara e cadeia, porque eles são os financiadores do tráfico. Para os traficantes, muitos anos atrás das grades. A lei tem que ser rigorosa tanto com o traficante quanto com quem o financia. Quando a lei é branda com os usuários, está fomentando o consumo e, conseqüentemente, o tráfico. Fortalecendo o tráfico, está fortalecendo o poder paralelo. E temos que tomar muito cuidado com esse poder marginal, porque ele gosta de dominar territórios, de cooptar a comunidade, de adquirir armas de guerra, de se infiltrar na política, de enfrentar o poder legal… Depois, não adianta chorar o leite derramado. Como empresário, por seguir este meu ideal, sofri grandes prejuízos financeiros, acreditem, perdi clientes porque eram ou ainda são contra a esta minha ideologia de combate a estes marginais, chegando ainda a ser taxado como “o justiceiro”, “maluco” entre outras. Por outro lado o gratificante é saber que também conquistei empresários do bem, pessoas sérias que apóiam esse nosso ideal. Que têm como objetivo o trabalho sério acima de qualquer ambição. Só rezo por uma coisa: Que Deus proteja minha família e amigos dessa epidemia.

Luiz Gustavo P. Costa – Sócio Diretor